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O GRÁFICO E EDITOR PAULA BRITO E A SOCIEDADE PETALÓGICA / JOÃO SCORTECCI

O jornalista, escritor, editor e tipógrafo Paula Brito (Francisco de Paula Brito, 1809 –1861), nasceu em uma família humilde, na Rua do Piolho, hoje Rua da Carioca, na cidade do Rio de Janeiro. Foi ajudante de farmácia, aprendiz de tipógrafo na Tipografia Imperial e Nacional, funcionário do Jornal do Commercio, do editor Pierre Seignot-Plancher, como diretor das prensas, redator, tradutor e contista. Em 1831, com 22 anos de idade, comprou de um parente um pequeno comércio, na Praça da Constituição, n. 31, na cidade do Rio de Janeiro, onde funcionavam uma papelaria, uma oficina de encadernação e um ponto de venda de chá. Adquiriu um prelo de impressão e, ali, começou o negócio, que prosperou. Em 1832, editou a revista A Mulher do Simplício ou A Fluminense Exaltada, edições impressas por Pierre Seignot-Plancher, seu ex-patrão. A revista existiu até 1846, quando foi substituída por A Marmota, publicada, com algumas mudanças de título, de 1849 a 1864, três anos após sua morte. Em 1833, Paula Brito já possuía dois estabelecimentos gráficos: a Typographia Fluminense e a Typographia Imparcial. Em 1848, expandiu seus negócios, com a livraria e papelaria Loja do Canto e as filiais, em sociedade com Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa e Cândido Lopes, formando com esse último a Tipografia e Loja de Lopes e Cia., na cidade de Niterói/RJ. Paula Brito foi ativista político e o primeiro a inserir no debate político a questão racial. Em sua tipografia foram impressas obras como o primeiro romance brasileiro O filho do pescador, de Teixeira e Sousa, e o jornal O Homem de Cor, considerado o primeiro periódico brasileiro dedicado à luta contra o preconceito racial, colocando-o como precursor da imprensa negra no Brasil. Paula Brito criou, em sua loja, a Sociedade Petalógica ou Sociedade Petalógica do Rossio Grande, que reunia o movimento romântico de 1840 a 1860: Antônio Gonçalves Dias, Laurindo Rabelo, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antonio de Almeida, José de Alencar, Paulino Soares de Souza, Euzébio de Queiroz, Silva Paranhos, Gonçalves de Magalhães, João Caetano, Moreira de Azevedo, Quintino Bocaiúva, Saldanha Marinho e Casimiro de Abreu. Em 1850, com 40 anos de idade, fundou seu mais ousado empreendimento, a Empresa Tipográfica Duos de Dezembro, data de seu aniversário e do amigo D. Pedro II, que se tornou seu acionista, mais em caráter pessoal do que político-partidário. Até então, Paula Brito possuía mais de dez lojas. Em 1851, uma de suas revistas, A Marmota na Corte, incluía o encarte de um figurino, e ele trouxe de Paris o litógrafo Louis Therier, especialista em cromolitografias, que passou a fazer as litografias para a revista. Foi a partir de 1850 que Paula Brito perdeu o controle dos negócios, endividando-se e ficando sem condições de honrar os seus compromissos financeiros. Em 1857, pediu falência, vindo a perder todos os seus bens patrimoniais. Cabe o registro histórico que o poeta Casimiro de Abreu (1839 – 1860) foi seu funcionário e, também, o então jovem escritor Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis, 1839 – 1908), que teve seu primeiro contato com o mundo editorial trabalhando como revisor de provas na gráfica de Paula Brito. Machado de Assis fez sua estreia literária com textos publicados na revista Marmota Fluminense, sendo, hoje, considerado um dos maiores, senão o maior nome da literatura do Brasil. Paula Brito faleceu em 15 de dezembro de 1861, aos 52 anos de idade. Sua importância para a indústria gráfica brasileira é grandiosa, pelo pioneirismo, coragem e espírito de Gutenberg.

João Scortecci